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17 de dezembro de 2013

Análise: Não vai demorar para inventarem edifícios em forma de logomarca

O vidro revolucionou o comércio universal com vitrines parisienses das galerias do século 19.

A transparência do material também foi um dos temas mais presentes no desenvolvimento da arquitetura moderna: após milênios protegidos por espessas paredes, parte da humanidade ganhou contato visual direto com o exterior em parte graças a tecnologia do vidro.

Agora, na São Paulo pós-Lei Cidade Limpa, o vidro novamente é a vedete. Contudo, no lugar de estimular o comércio ou de inspirar a vanguarda arquitetônica, o material está na ribalta por ajudar a burlar a legislação que protegeu a cidade da publicidade excessiva.

A transparência é usada em uma brecha da lei que não regula logotipos instalados um metro para dentro do edifício. A ideia corrobora com a anedota da desobediência civil generalizada às leis que parece incorporada ao imaginário nacional.

Hipoteticamente, lojas e serviços que adotam esta estratégia devem sentir-se beneficiados por trocar o custo de indisponibilizar metros quadrados construídos em áreas nobres da cidade em troca de publicidade.

Contudo, o resultado prático disto que poderíamos chamar de “publicidade interna” não é o mesmo das antigas publicidades externas: os logotipos são camuflados por reflexos e sombras. A ironia é que o vilão é justamente o personagem que permite burlar a lei –o vidro.

Para impedir excessos, qual deveria ser a resposta do legislador? Difícil imaginar como censurar aquilo que está dentro dos edifícios: se aumentarem a medida para mais de um metro, os criativos farão letras maiores e mais recuadas; se proibirem marcas no interior do edifício visíveis da rua, não demorará para inventarem os edifícios em forma de logomarca.

 

FERNANDO SERAPIÃO é crítico de arquitetura e editor da revista “Monolito”
Crédito da imagem: Site Outra Vista 3D Creative Studio